Ontem fui à Ponte. Como sempre vim de lá, ainda, com mais certeza de que ser professor é a profissão certa para mim.
No sítio do SPN já referido encontra-se também o depoiamento de um dos alunos. Neste o aluno faz "uma visita guiada" à Ponte. Vejamos então:
"Visita pela escola
Eu vou proporcionar a algumas pessoas que ainda têm dúvidas da qualidade da Escola Da Ponte, uma visita completamente equivalente à realidade:
- Logo que alguém chegue á Escola da Ponte poderá pedir a alguém que o guie pela escola e a mostre.
Entraríamos logo por um dos dois pavilhões(PRÉ-FABRICADOS)que na Escola existem. Neste caso vamos começar pelo pavilhão Rubem Alves. Quando lá enrasse iria logo notar que a sala estaria dividida em grupos de quatro meninos e iria interrogar-se. Eu explicaria isto da seguinte forma: na escola dividimo-nos em grupos de quatro; estes grupos são escolhidos pelo meninos e têm geralmente elementos que vão do 3º ao 7º ano. E porquê? Tendo grupos misturados com os diferentes anos lectivos, teremos a oportunidade extraordinária de podermos ser alunos e professores ao mesmo tempo, pois podemos ajudar os mais novos ou até ser ajudados por eles. De seguida passaria a explicar quais as disciplinas trabalhadas neste pavilhão: Português,Inglês, Francês, História e Geografia.
Daríamos depois uma espreitadela aos murais espalhados por este espaço. Encontraríamos um mural de Inglês onde os alunos podem afixar trabalhos, pesquisas, etc. Depois teríamos outro mural de História/Geografia onde a explicação será a mesma da anterior. Teríamos agora um mural um pouco mais complicado de explicar. Neste mural veríamos uma folha com diversos objectivos.Estes objectivos são tudo o que teremos de aprender ao longo do ano lectivo nas várias disciplinas.Os alunos têm assim a liberdade de escolher o objectivo que querem ou necessitam trabalhar, não tendo assim a obrigação de aprender coias que já sabem.Para estudar, teremos os manuais divididos pelas diversas prateleiras existentes neste espaço. Para mudar de objectivo teremos que fazer uma pequena avaliação oral ou escrita feita pelo professor.Passado o objectivo, o professor que fez a avaliação fará uma assinatura no Plano da quinzena que é elaborado pelo alunos contendo tudo o qui estes devem trabalhar durante este período.
Encontraríamos também neste mural um mapa de presenças com o nome de cada aluno desta escola. Todos os dias, o aluno ao chegar á escola terá que ir ao mapa de presenças registar a pintinha verde caso chegue a horas, amarela se chegar atrasado e vermelha se não vier.
Passaremos então ao Pavilhão António Gedeão, onde se trabalha Ciências da Natureza e Matemática. Neste pavilhão poderemos encontrar materiais de experiência e pesquisa para as diversas actividades a realizar. Aqui poderemos encontrar os murais com o conteúdo equivalente ao do pavilhão anterior.
Encontraremos apenas mais dois espaços de trabalho: o espaço João de Deus onde se localizam os meninos do 1º e 2º ano que pertencem á Iniciação e Transição respectivamente. O outro espaço chama-se àrea artística onde podemos estudar E.V.T e Educação Musical. Aqui é feito, no início do ano lectivo um projecto que se irá prolongar ao longo do ano, tendo uma finalização baseada numa escultura,uma música ou até uma representação teatral. Dentro deste Projecto iremos aprender todos os objectivos destas duas disciplinas. Está, assim, feita a visita aos espaços de trabalho desta escola.
Como podem verificar, não possuímos qualquer espaço para praticar Educação Física, tendo que nos auxiliar de um ginásio fora da escola, alugado e pago pelos nossos pais. Para o almoço possuímos apenas um pequeno espaço que é transformado ora em cantina, ora em Assembleia da Escola e Assembleia de Pais. Este ano, não poderemos ainda realizar a Assembleia pois o espaço não é suficientemente grande para acolher todos os alunos ao mesmo tempo (já para não falar que o almoço é dividido em dois turnos).
Creio que todos ficaram convencidos da qualidade do ensino desta escola. Mas tudo o que aqui partilhei pode acabar!!! Por isso espero que continuem a contribuir para este abaixo-assinado. Ajudem a manter este Projecto Extraordinário vivo!!!
Para alguma dúvida que tenham, enviem um e-mail para: andre.pipe@clix.pt
Obrigado a todos
André Carneiro ( aluno do 7º ano da Escola da Ponte)
André Filipe Martins Carneiro"
Em resposta às declarações do Ministro da Educação no Parlamento o Prof. Ademar (actual director da Ponte) enviou uma carta ao Ministro da Educação.
Com a devida vénia ao autor e ao sítio do SPN onde a carta se encontra transcrevo-a:
"CARTA DIRIGIDA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Escola Básica Integrada de Aves/S.Tomé de Negrelos - Escola da Ponte
Ofício CI-106/03, de 19.Setembro
ASSUNTO: ESCLARECIMENTO
Exmo Senhor
Ministro da Educação
Ouvi ontem, com toda a atenção, as declarações que proferiu na Assembleia da República sobre a impossibilidade de alargamento do Projecto Fazer a Ponte ao 3º Ciclo, como tinha lido, com a mesma atenção, o depoimento que prestara há dias ao Público (ou que este lhe atribuía), no qual aludia aos “rios de dinheiro” que o Ministério tem andado a gastar com a Escola da Ponte (embora, imediatamente, prevenisse que não estava a agir por questões de “contenção financeira”).
Nas duas ocasiões, V.Excia. foi, como sempre, extremamente hábil, reconduzindo a abordagem do dossier da Ponte aos aspectos que, na sua perspectiva, tornariam menos populares e atendíveis as reivindicações desta Comunidade Educativa.
Mas, como muito bem sabe, a parcialidade da argumentação que utilizou é facilmente desmontável. Permita-me então que lhe recorde as faces do problema que, inteligentemente, omitiu.
Começo pela questão do 3º Ciclo. V.Excia. sabe (até porque lho dissemos directamente na reunião que mantivemos em Julho no seu gabinete) que não exigimos a construção de novas instalações e que os Pais aceitariam a transferência dos nossos alunos do 7º ano para outra escola, desde que eles fossem acompanhados pelos professores desta EBI e pelo Projecto Fazer a Ponte. Com uma opção deste tipo ganhariam todos e ninguém ficaria a perder:
- os alunos poderiam continuar a trabalhar nos moldes em que sempre trabalharam, exponenciando e tirando todo o proveito dos conhecimentos e das competências que foram integrando e desenvolvendo nos ciclos anteriores;
- os pais veriam respeitada e valorizada a opção educativa que os levou a matricular os seus filhos na Escola da Ponte;
- o Ministério da Educação, para além de garantir efectivamente (e sem grandes custos adicionais) a continuidade e a consolidação de um Projecto de qualidade que tanto prestígio já trouxe ao nosso país ( e que, de outra forma, se extinguirá inexoravelmente), poderia rentabilizar, maximizando, os recursos disponíveis localmente, dando um exemplo de boa e equilibrada gestão do parque escolar existente;
- a equipa docente do Projecto veria recompensada a dedicação e o empenho que a Avaliação Externa reconheceu e não sentiria que o trabalho dos últimos dois anos de preparação do alargamento do Projecto ao 3ºCiclo foi completamente inútil, como resultará, se mantidas, das posições que V.Excia. vem defendendo;
- V.Excia., finalmente, poderia honrar o compromisso que, enquanto Ministro da Educação, assumiu perante os portugueses de distinguir a qualidade e premiar o mérito, dando ao país (e não apenas ao país) um exemplo de coerência e de sabedoria política que muito o prestigiariam.
Detenho-me agora na questão dos custos do Projecto.
Não pretendo contraditar os valores contabilísticos propalados pelo Ministério e hoje mesmo. uma vez mais, trazidos a público. O que lhes contraponho é uma relação de benefícios. Sem pretender ser exaustivo, destacaria:
1- O facto de, nesta Escola, os alunos não terem “furos” e estarem sempre utilmente ocupados;
2- O facto de esta Escola aceitar todos os alunos que a procuram, muito especialmente, aqueles que já tinham perdido a esperança de ser acolhidos e integrados no sistema de ensino;
3- O facto de, nesta Escola, se garantir uma derradeira e, tantas vezes, desesperada oportunidade de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal a tantos e tantos alunos que outras escolas rejeitaram e que, se não fosse o Projecto Fazer a Ponte, estariam hoje a engrossar as taxas de abandono escolar e, muito provavelmente, em alguns casos, a militar na delinquência;
4- O facto de esta Escola oferecer às famílias um programa de ocupação educativa dos alunos entre as 8:30 e as 18:30 horas;
5- O facto de esta Escola valorizar tanto a autonomia, o sentido de responsabilidade e a formação cívica dos alunos;
6- O facto de, nesta Escola, não haver professores com horários zero, nem reduções da componente lectiva;
7- O facto de esta Escola, em sintonia com as famílias e em estreita colaboração com as empresas, proporcionar aos adolescentes que, pelos seus handicaps, já muito pouco têm a esperar do sistema de ensino, experiências de pré-profissionalização que, em muitos casos, lhes devolvem a esperança no futuro;
8- O facto de esta Escola constituir um exemplo e um permanente estímulo de inovação aos professores e aos pais que aspiram a uma Educação e um Ensino de qualidade.
Sociólogo de formação, V.Excia. não precisará que enfatizemos a “utilidade social” desta Escola, utilidade, aliás, que a Comissão de Avaliação Externa do Projecto Fazer a Ponte, muito justamente, reconheceu e sublinhou. E não precisará também que lhe expliquemos as razões que nos levam a afirmar tantas vezes que esta Escola, pelas mais-valias que acrescenta à formação dos alunos e pelos benefícios sociais que assegura e induz, é, muito provavelmente, a Escola que fica mais barata ao Estado Português.
Por isso, quando afirma que o Ministério tem gasto “rios de dinheiro” com esta Escola (que, ademais, como deve saber, funciona em instalações precárias e sem um conjunto de recursos que o Ministério costuma proporcionar, normalmente, a outras escolas), V.Excia. está a ser profundamente injusto e, permita que acrescente, muito pouco rigoroso.
Não pretendo com este esclarecimento alimentar qualquer espécie de polémica com V.Excia, mas tão só defender a imagem pública desta Escola, que, por tudo aquilo que tem feito nos últimos 27 anos, não merecia ser tratada da forma como V.Excia. tem vindo a fazê-lo.
A decisão final é sua e, com toda a legitimidade democrática, poderá com um simples despacho acabar com este Projecto. Mas, por favor, não espere que os Pais e os Profissionais desta Comunidade Educativa, que não têm olhado a sacrifícios para lutar por aquilo em que acreditam, aceitem em silêncio declarações que, objectivamente, amesquinham um Projecto, uma Escola e uma Equipa.
Com as mais cordiais saudações
do Presidente da Comissão Instaladora
Ademar Ferreira dos Santos
ESCOLA DA PONTE"
Vejam os outros comentários. Alguns deles são extremamente interessantes (na minha opinião).
O JSM do Ele-há-coisas colocou no blog as suas razões para ter a filha na Ponte. Penso que vale a pena ver porque é que um pai coloca uma filha numa escola mais longe de casa.
Pois é, o abaixo assinado já vai com 3500 assinaturas.
Quem não está dentro do meio educativo português poderá pensar que é pouco mas quem conhece este meio sabe que este é um número extraordinário.
Agora, só falto o ministro assinar.
Ontem, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, decorreu uma sessão pública de apoio à Escola da Ponte e à Escola Pública.
É engraçado estar num local onde se fala tão bem de algo que nos habituámos a ver como natural e quase como sempre existente.
É lógico que a Ponte é algo de único em Portugal mas ao fim de algum tempo parece-nos natural que as coisas funcionem assim. Depois, é preciso que ouçámos outras pessoas falar dela para percebemos que realmente é única.
Foi maravilhoso ver tantas pessoas apoiar algo de tão importante.
O Público, o Primeiro de Janeiro publicam hoje uma notícia sobre o assunto.
Amanhã, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto (na Rua do Campo Alegre - Antiga Faculdade de Letras) vai-se realizar um encontro sobre: "Continuar a fazer a Ponte - DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA - Sessão Pública de apoio à Escola da Ponte".
Na mesa estarão: João Barroso, José Alberto Correia, José Pacheco, Manuel Sarmento, Pedro Bacelar Vasconcelos, Rui Canário e Rui Trindade.
Para mais informações consulta esta página.
Será mais uma oportunidade de mostrar ao Ministro o quanto ele está errado.
Mais uma vez o Ele há coisas está em cima do acontecimento e apresenta esta carta que os alunos da Ponte enviaram ao ministro.
Transcrevo-a .......... sem comentários.......
CARTA AO MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Escola da Ponte, 22 de Setembro de 2003,
Senhor Ministro da Educação,
Nas reuniões semanais da nossa Assembleia, nós aprendemos o que são os nossos direitos e os nossos deveres. Por isso, decidimos escrever uma carta ao Sr. Ministro da Educação. É uma carta assinada por todos os alunos. Decidimos enviar ao senhor esta carta, que ela fala sobre o que aprendemos a sentir, a respeitar, e sobre o significado da palavra AJUDAR e da palavra AMAR, e sobre como a escola que se transforma em família. Para que assim o senhor perceba que está a destruir o lar e a família de muitas crianças.
Na nossa opinião, muitas pessoas não estão a par do que está acontecendo com a nossa escola. Já pensámos em publicar artigos para que, assim, as pessoas tenham noção do problema que diariamente temos vindo a enfrentar e também para que, juntamente connosco lutem pela justiça e pelo ensino moderno.
Já não sabemos, sinceramente, o que fazer para que possamos trabalhar em paz e com professores. A escola já fez de tudo para poder voltar ao normal. É preciso arranjar uma solução, para que possamos ter os nossos professores de volta e possamos estudar.
Para fazermos com que os nossos professores voltem, temos de demonstrar quanto fortes somos e conseguir o que tanto merecemos. Os nossos professores são nossos amigos e sabem ajudar-nos no que precisamos porque eles têm sabedoria. E nós estamos habituados com eles. Vamos mandar uma carta aos nossos professores, para lhes dizer a falta que eles fazem na escola. Dizemos aos nossos professores que gostamos muito deles e que estamos com muitas saudades.
Nós vamos continuar a lutar pelo 3º ciclo. Vamos fornecer a todos os alunos o e-mail do Ministério da Educação, para que todos escrevam ao senhor ministro. Vamos ter muita esperança e também muita paciência, até nos dar todas as condições necessárias para nós podermos estudar com gosto e seriedade. Vamos mandar ao ministro uma gravação do trabalho que os nossos colegas monitores fazem, para o senhor ver que, mesmo sem os nossos professores, nós não nos vamos abaixo. Nós mantemos a calma e ajudamos os mais novos a perceber o que se passa. Venha visitar a nossa escola, para ver que é uma escola com sucesso. Ao ver os nossos colegas do 7º ano a trabalharem como professores, certamente vai dar-nos o 7º ano.
O senhor não se pode esquecer de que é o Ministro da Educação. E nós (os alunos) não podemos passar a vida toda a fazer de monitores. O senhor deve devolver-nos os nossos professores e o 3º ciclo.
O senhor Ministro sabe o que é ser pai de um aluno da nossa escola? O senhor Ministro aceita vir à nossa escola?
Queremos que o senhor ministro veja a nossa situação, para que possa ver o quanto nos está a prejudicar. Queremos que o Sr. Ministro veja as condições que nós temos e nos dê os professores. Continuamos a insistir com o senhor Ministro, até que veja realmente o nosso projecto, pois assim pode cair na realidade.
Senhor Ministro da Educação, seja simpático connosco, que terá uma recompensa. Se não nos responder, nós iremos fazer uma conferência de imprensa só com alunos.
Nós precisamos de um ginásio, mais espaço para brincar, um campo de futebol, mais espaço para estudar, e precisamos de uma cantina maior. Também precisamos de ter confiança de que vamos conseguir. Nós só fazemos pressão porque queremos que se realize o nosso sonho. Nós, os alunos, estamos a sofrer. Mas, se o senhor não fizer nada, nós continuamos a lutar com unhas e dentes pelo o que é nosso, nós temos força e a esperança é a última coisa a morrer. Nós nunca iremos desistir dos nossos direitos.
Estamos todos juntos, “um por todos e todos por um”, demore o tempo que demorar!!! Nós estaremos sempre unidos e pediremos o que já era prometido. Se o Governo prometeu, agora faça o que disse, para nós sermos uns alunos felizes. Se o Governo nos prometeu, por que razão, agora, não cumpre o que prometeu? É muito feio uma pessoa prometer e depois não cumprir.
Quais as razões de não responder durante quase DOIS anos aos nossos pedidos? Porque nunca nos visitou, para nos conhecer pessoalmente e tentar perceber o que está a fazer? Teve a oportunidade de pensar ao que está a chegar este assunto por causa das suas teimosias? Esperamos que seja consciente ao pensar nisto. Já pensou nas vantagens deste projecto em relação aos outros métodos de ensino completamente normais? Nós lutamos como temos lutado para mostrar ao senhor ministro que o projecto da Escola da Ponte é importante de mais para poder acabar. Senhor Ministro, deixe-nos continuar com este projecto! Por favor!
A Presidente da Mesa da Assembleia
Em nome de todos os Alunos da Escola da Ponte que elaboraram e aprovaram esta carta
Constança Azevedo
ALUNOS DA ESCOLA DA PONTE
Neste momento estou a tentar mudar o blog para esta morada. Ainda está um pouco demorado mas com tempo e paciência chego lá.
A Escola da Ponte tem um novo sítio na Internet. Ainda está um pouco pesado e dedicado, sobretudo, ao 1º ciclo mas está muito engraçado.
O abaixo assinado da Ponte já vai com mais de 1300 assinaturas.
Na próxima quinta-feira (18 horas) vai haver um debate na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto dedicado ao tema: "Defender a escola pública, defender a Escola da Ponte".
Por outro lado, o "Ele há coisas" continua actualizado e muito activo
O prof. Pacheco publicou mais uma crónica à sua neta no Educare.
Entretanto, recebi uma mensagem do Prof. Ademar (o director da EBI das Aves) que a seguir transcrevo:
Amigos
A Escola da Ponte está ameaçada de morte pelo Ministério da Educação.
Se quer solidarizar-se com a causa dos Pais e Professores da Ponte, subscreva o Manifesto Fazer a Ponte, no site de A Página da Educação e convoque outros amigos a fazê-lo.
Seria também importante que os jornais portugueses começassem a publicar as mensagens de apoio dos amigos da Ponte.
Um abraço.
ADEMAR SANTOS
Escola da Ponte - Vila das Aves
Mais uma vez apelo a que todos participem.
O Educare apresenta mais uma notícia relacionado com a Ponte.
Desta vez, relacionada com a "ocupação" da Escola por parte dos pais dos alunos. Esta notícia faz também eco duma carta aberta que, um grande número de personalidades relacionadas com a educação, enviaram ao Ministro da Educação.
Uma ideia para combater a posição do Ministro é enviar uma mensagem de correio electrónico ao Ministro com o conteúdo da Carta.
O e-mail do gabinete do ministro é: gme@min-edu.pt.
A seguir transcrevo toda a carta:
Fazer a Ponte
Ao longo dos últimos 25 anos, apesar das sucessivas (e falhadas) reformas, um colectivo de professores, com os alunos e os pais, desenvolveu, na Escola Primária nº1 da Ponte – Vila das Aves, um projecto educativo ímpar, reconhecido a nível nacional e internacional. Esse reconhecimento traduziu-se, a nível institucional, pela conversão da Escola da Ponte, em Agosto de 2001, numa Escola Básica Integrada, alargando-se o âmbito do projecto a um percurso escolar, integrado e coerente, de nove anos. A sobrevivência deste projecto, por acção e por omissão do Ministério da Educação, está ameaçada. A sua extinção representaria um empobrecimento inaceitável do nosso património educativo, sem que haja, da parte do Ministério qualquer razão plausível dos pontos de vista científico, pedagógico ou de política educativa.
Há razões para apoiar a Escola da Ponte
A criação da Escola Básica Integrada não representou uma resposta a problemas de oferta educativa local nem de racionalização da rede escolar, mas tão só o reconhecimento da singularidade e da riqueza pedagógicas deste projecto. Com efeito, a Escola da Ponte tem-se afirmado como uma “escola diferente” em que a originalidade das soluções (não há “anos de escolaridade” nem “turmas”, os espaços são “polivalentes” e os professores não se queixam da falta de condições para “dar o programa”) se combina com o sucesso escolar e educativo das crianças e o envolvimento das famílias.
Nesta escola, os alunos são tratados como crianças que “aprendem a ser gente”, com base na construção da sua progressiva autonomia para gerir tempos e espaços, planear actividades, gerir a informação, participar na sua avaliação, exercer os direitos de cidadania. Nesta escola, tem vindo a ser construída uma resposta pedagogicamente coerente, e eficaz, para lidar com a heterogeneidade do público escolar. É exemplar o modo como, nesta escola, são integrados e resolvidos os problemas dos chamados “alunos difíceis” ou com “necessidades especiais”.
O modo original de organizar o trabalho escolar dos alunos tem a sua contrapartida num modo, igualmente original, de organizar o trabalho dos professores. É particularmente estimulante a maneira como, nesta escola, se reequacionou a articulação entre trabalho individual e colectivo e entre generalismo e especialização, com base num colectivo de professores que constróem e exercem uma autonomia não outorgada e que não admite tutelas.
A Escola da Ponte não pede a Lua!
Desde há muitos meses que os professores, a associação de pais e a direcção da escola vêm solicitando ao Ministério que cumpra os compromissos assumidos e assegure as condições mínimas para viabilizar a continuidade deste projecto de nove anos de escolaridade.
As suas “exigências” traduzem-se em solicitar:
- Ao Ministério que celebre com a escola um contrato de autonomia que viabilize o seu projecto educativo;
- A constituição de uma equipa, permanente, de acompanhamento e avaliação do projecto;
- A disponibilização de instalações adequadas;
- A adequada estabilização do corpo docente;
- A libertação da Associação de Pais da Escola da responsabilidade dos encargos com a utilização do Ginásio;
- A alteração da actual designação da escola para “Escola Básica Integrada da Ponte”.
O Ministério da Educação faz o contrário do que diz
A retórica política da actual equipa ministerial tem enfatizado, como orientação central, o prémio ao mérito. A Escola da Ponte tem-se notabilizado pelos resultados obtidos pelos seus alunos nas provas de aferição à escala nacional. Neste caso, o mérito, em vez de premiado, é penalizado. O Ministério tem afirmado pretender
favorecer o protagonismo das famílias, mas, neste caso, procede contra a sua vontade expressa. O Ministério afirma pretender a responsabilização das escolas através dos seus resultados, mas, neste caso, ignora-os e mostra-se incapaz de materializar um contrato de autonomia, previsto na lei. O ministério apregoa o rigor
na avaliação, mas, neste caso, ignora as conclusões e recomendações da comissão de avaliação externa, por si designada.
O Ministério pretende negar a esta Escola Básica Integrada o cumprimento de competências que lhe são inerentes (promover uma escolaridade de nove anos) quando, paralelamente, impõe a constituição “à força” de agrupamentos verticais que integram todos os ciclos do ensino básico.
Os professores da Ponte têm razão!
Os professores não aceitam a perversão do seu projecto e, por isso, recusam dar-lhe continuidade, nos termos que o Ministério pretende impor. Achamos que os professores têm razão e, como eles, perguntamos se “é este o prémio que o Ministério da Educação reserva para as escolas de qualidade”.
Como professores e educadores, estamos preocupados com o futuro do projecto da Ponte. Mas estamos, sobretudo, solidários com a comunidade educativa da escola e, em particular, com o grupo de professores que teimam em ser autónomos, criativos e donos da sua profissão, sem para isso pedirem prévia autorização.
Fazendo nossas as palavras da Associação de Pais da Escola da Ponte, consideramos que “seria um absurdo que, por um capricho de governantes, sempre transitórios, este projecto se extinguisse, ao fim de 27 anos”. É algo que não podemos aceitar e a todos envergonharia.
Abílio Amiguinho; Angelina Carvalho; Ariana Cosme; Assunção Neves; Augusto Santos Silva; Eduarda Dionísio; Eduarda Neves; Filomena Matos; Francisco Pacheco; Isabel Menezes; João Barroso; João Pedro da Ponte; José Alberto Correia; Licínio Lima; Luiza Cortesão; Manuel Matos; Manuel Porfírio; Manuel Sarmento;
Maria José Casa Nova; Maria José Martins; Matias Alves; Milice Ribeiro; Pedro Bacelar de Vasconcelos; Rui Canário; Rui d’Espiney; Rui Trindade; Steve Stoer.
Pois é, infelizmente, o problema da Ponte ainda não está resolvido.
Os pais, como principais interessados na educação dos seus filhos vão ocupar, a partir de hoje, por tempo indeterminado, as instalações da Escola da Ponte.
Esperemos que o Ministro compreenda.
Se quiser saber mais pode ler a notícia do Público de hoje.
A seguir transcrevo alguns excertos do relatório apresentado pela Comissão de Avaliação Externa (CAE) nomeada pelo actual ministro:
"A CAE foi confrontada, no caso da EBI das Aves/ S.Tomé de Negrelos, com um exemplo, não de um mero projecto ou plano eventualmente virtual, mas com um Projecto-acção e avaliação da acção, com objectivo e elementos constitutivos vem definidos e apoiados."
"Foi patente que os representantes dos pais presentes – e, por extensão, os pais dos alunos da EBI das Aves/S.Tomé de Negrelos – escolheram conscientemente o Projecto Educativo para os seus filhos, valorizando as suas características distintivas, como a forte componente de educação para a cidadania."
"A existência de um conjunto de docentes altamente motivados e empenhados no processo de acompanhamento dos alunos na respectiva aprendizagem."
"A presença de um acentuado espírito de corpo e de identificação com o Projecto por parte de docentes e alunos."
Mesmo tendo em conta o que atrás transcrevo o Ministro voltou atrás com a palavra dada.....
Façamos alguma coisa para ele mudar de opinião, veja as entradas abaixo, por favor....
Infelizmente, a Ponte ainda não tem garantido o 3º ciclo. O Público de ontem apresentava um texto sobre a conferência de impressa dada pela Escola em resposta à posição do Ministério.
Por outro lado, o Educare volta a dar relevo a esta escola.
Se quiserem ajudar a Ponte vejam o comentário abaixo e encham a caixa de correio do ministro.....